O ideal é começar antes da cirurgia, para aprender a contrair bem os músculos do pavimento pélvico, e retomar os exercícios logo que a algália é retirada, com o acordo do urologista. Se a cirurgia já foi há meses ou anos e as perdas continuam, também vale a pena começar: a fisioterapia pélvica ajuda em qualquer fase.
Porque é que há perdas de urina depois da prostatectomia?
A próstata fica junto à saída da bexiga, rodeada por músculos que ajudam a segurar a urina. Quando é retirada, esses músculos e os nervos à volta podem ficar afetados, e o esfíncter e o pavimento pélvico passam a ter de fazer sozinhos esse trabalho. Por isso, é comum haver perdas de urina ao tossir, espirrar, levantar-se da cadeira ou fazer esforços. Alguns homens sentem também vontade urgente de urinar.
Quanto tempo duram as perdas?
Na maioria dos homens as perdas diminuem aos poucos nos primeiros meses, e a maior parte recupera o controlo da urina durante o primeiro ano. O tempo varia muito de pessoa para pessoa: depende da idade, da técnica cirúrgica, de os nervos terem sido preservados e de como estava a continência antes da operação.
Porque começar antes da cirurgia?
Muitos homens, quando tentam “apertar”, contraem os glúteos, a barriga ou as pernas em vez do pavimento pélvico. Aprender o exercício certo antes da cirurgia, sem algália e sem dor, torna mais fácil retomá-lo depois. As orientações da Associação Americana de Urologia indicam que o treino pode ser oferecido antes da cirurgia e deve ser recomendado logo depois dela.
E depois da cirurgia, quando recomeçar?
Normalmente, logo que a algália é retirada e o urologista dá autorização. Nas primeiras semanas os exercícios são suaves e vão aumentando aos poucos, juntamente com o regresso às atividades do dia a dia.
Como é a fisioterapia pélvica no homem?
A primeira consulta começa por uma conversa sobre a cirurgia, as perdas e os hábitos (líquidos, café, intestino). Pode ser pedido um diário miccional, um registo de quando urina e quando tem perdas. A avaliação do pavimento pélvico é explicada antes e só é feita com o seu consentimento. O plano costuma incluir:
- exercícios do pavimento pélvico, ajustados à fase em que está
- biofeedback, para ver e sentir a contração certa
- estratégias para os momentos de esforço, como tossir ou levantar pesos
- conselhos sobre líquidos, cafeína e obstipação
O número de sessões depende de cada caso e é combinado na primeira consulta.
Já passou muito tempo. Ainda vale a pena?
Sim. Mesmo quando as perdas duram há mais de um ano, a fisioterapia pode reduzi-las e melhorar a qualidade de vida. Se ao fim de cerca de um ano as perdas continuarem a incomodar, o urologista pode também falar consigo sobre outras opções de tratamento.
Perguntas frequentes
Os exercícios de Kegel que encontro na internet chegam?
Podem ajudar, mas muitos homens fazem a contração errada sem dar por isso. Uma avaliação garante que está a treinar os músculos certos.
A fisioterapia também ajuda na disfunção erétil depois da cirurgia?
Os músculos do pavimento pélvico também participam na ereção, por isso o treino pode fazer parte da recuperação, em conjunto com o acompanhamento do urologista.
Tenho de deixar de beber água para ter menos perdas?
Não. Beber pouco torna a urina mais concentrada e pode irritar a bexiga. O que costuma ajudar é distribuir os líquidos ao longo do dia e reduzir o café e o álcool.
Posso fazer as sessões ao domicílio?
Não. A fisioterapia pélvica masculina é feita sempre na Cuidar’t, em Paredes, onde temos o equipamento necessário, como o biofeedback.
Quem escreve
Vera Moreira, fisioterapeuta pélvica, cédula profissional n.º 4290
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