Todas as mães são mulheres que se tornam mães : algumas por desígnio e desejo; outras, sem aviso e sem plano. Independentemente do quando e do como, quando uma mulher se torna mãe, muitas vezes é ao espelho que o descobre quando, ao olhar-se, vê alguém familiar, mas não exatamente a mulher que pensava conhecer.
A maternidade é uma experiência profundamente transformadora. Marca o corpo, o tempo, as prioridades e, principalmente, a forma como olha para si própria: o novo Eu que agora constrói e o Eu que sempre esteve lá mas para o qual, tantas vezes, foi demasiado difícil olhar. Todos dizem que a vida muda quando uma mulher se torna mãe mas ninguém explica que parte dessa mudança nasce daquilo que já existe em nós.
Muitas vezes, a maternidade traz à superfície histórias antigas. Feridas que pareciam resolvidas ou adormecidas, experiências que nunca foram processadas e integradas, necessidades que ficaram por responder… Para muitas mulheres, a mãe que nasceu traz consigo partes de si que nunca pensou voltar a ver.
Este processo nem sempre é consciente e pode manifestar-se de inúmeras formas: uma maior sensibilidade, reações emocionais intensas, medo de falhar, demasiada exigência consigo própria, dificuldade em pedir ajuda… Por vezes, pode manifestar-se na própria relação com o bebé ou na conexão que sente com ele. Esta relação tende a ativar experiências antigas e profundas relacionadas com a forma como a própria mulher foi vista, cuidada, protegida ou ignorada. Como se o próprio papel de mãe funcionasse como um espelho interno que reflete não só o presente, mas muito do passado.
E tudo isto no meio de um turbilhão de hormonas, novas dinâmicas, novos desafios, privação de sono e exaustão… Assim, quando isto acontece, a saúde mental pode ficar particularmente vulnerável: emoções como culpa, ansiedade, tristeza ou raiva podem surgir ou intensificar-se, a autoestima pode ser afetada e começar a sentir que não é suficiente, que não é capaz e julgar-se ferozmente.
Reconhecer que a maternidade pode reabrir feridas não é patologizar a experiência de ser mãe mas sim reconhecer a oportunidade de cuidar e criar espaço para partes de si que há muito esperam para ser vistas.
A mulher não desaparece quando se torna mãe.
Reencontra-se consigo própria e transforma-se por si própria e pela criança, pela adolescente, pela filha, irmã, colega, amiga e todas as versões de si que já foi, e ainda é.
Na Clínica Cuidar’t, acompanhamos mulheres em diferentes fases da maternidade e acreditamos que cuidar da mãe é também cuidar da mulher. Criamos um espaço seguro para que cada mulher se reencontre, se compreenda e se transforme com consciência e apoio profissional.